MANOEL ALMINO: “Um filho da terra, pela vontade de servir ao seu povo!”

Manoel Almino era um homem simples, criado na roça, vindo do sítio Ilha. Ainda muito jovem decidiu buscar novos horizontes e trabalhou por anos em Curitiba, Paraná. Ao retornar para Quixelô casou-se também com uma moça simples e continuaram tendo uma vida simples.

Mas foi em 1976 que ele deu seu primeiro passo na política ao candidatar-se a vereador na cidade de Iguatu, da qual Quixelô ainda fazia parte como distrito.

Como vereador, aliado aos seus parlamentares, trouxe benefícios para Quixelô. Um deles foi a ponte e o asfalto que liga Iguatu à Quixelô e outras tantas estradas que ligam Quixelô aos sítios.

Manoel Almino percebeu que era a hora de libertar Quixelô, mas muitos não queriam. Ele não desistiu e em 22 de fevereiro de 1985, finalmente, aconteceu o plebiscito no mesmo ano em que ocorreu a eleição para prefeito e vereadores. Quixelô libertava-se de Iguatu e teria o seu primeiro prefeito.

Naquele mesmo ano candidataram-se Marconi Matos e Manoel Almino. Com o slogan “unidos venceremos!” Manoel Almino perdeu a eleição para Marconi Matos que foi eleito para um mandato de 3 anos.

Em 1988 concorreu novamente. Segundo o que falam os que viveram aquela época, Almino ‘estaria eleito facilmente’; porém, ao abrirem as urnas a contagem dos votos mostrou outro resultado e José Ilo tornara-se o vencedor em meio a uma eleição cheia de denúncias e polêmicas onde Manoel Almino foi acusado inclusive de assassinato. Uma manobra criada para tirar Almino da eleição forjou uma denúncia, com falsos testemunhos, que acabaram por resultar na sua prisão. Manoel Almino foi algemado e colocado na prisão por 28 dias.

O povo não acreditou na mentira que havia sido desenhada e foi para as portas do presídio protestar contra a prisão de Almino. Apesar disso, ele era cotado para ser o próximo prefeito e tinha grande apoio da população, aguardava pacientemente que a justiça fosse feita, mas não foi isso que aconteceu: ficou ainda pior.

Percebendo que não venceria a eleição daquela forma e ao saber que a popularidade de Almino crescia cada vez mais junto com a comoção popular, resolveram seus adversários políticos, transferi-lo para Fortaleza.

Foi colocado no pior presídio onde a luz solar mal entrava. Pessoas que o visitaram puderam afirmar que “era um porão mesmo!’ Depois de muita luta, finalmente, os advogados conseguiram trazer Manoel Almino de volta à Quixelô, mas sua saúde já não andava muito boa em virtude de todas as privações e as pressões psicológicas que sofrera por conta das acusações e da prisão por um crime que ele não cometera.

Finalmente solto, Manoel Almino era o nome mais cotado para ser prefeito. As pessoas comemoravam, mas conhecendo seus adversários e do que eles seriam capazes, não tinha a mesma empolgação. E ele estava certo. A vitória ficou com a chapa encabeçada pelo outro candidato.

Em 1992 candidatou-se novamente e perdeu mais uma vez. Manoel Almino não tinha apoio do governo e todas as suas campanhas eram custeadas por ele. Era comum, após perder eleições, ter que se desfazer de seus bens para poder honrar suas dívidas e assim, ter que começar de novo, na maioria das vezes sozinho.

Em 1996 não quis mais ser candidato, mas uma parte considerável do povo pedia que ele tentasse mais uma vez. O embate foi contra José Ilo Dantas que reabriu o processo contra Almino, onde ele era acusado de um suposto assassinato. Manoel Almino saiu-se vitorioso. As pessoas que antes o acusavam, mudaram de opinião e, assim, ele foi absolvido por sete votos a zero em um julgamento histórico, realizado no Ginásio Municipal de Quixelô, que estava absolutamente lotado.

Motivado pela absolvição e ao ver-se livre das pressões que sofria por estar respondendo a processos, Almino decidiu candidatar-se novamente. Visitou todas as casas, falou com todos; pediu apoio financeiro ao comércio – uns ajudaram; outros, não. A vitória mais uma vez parecia certa, mas o poder econômico do outro candidato acabou por minar novamente a vitória de Manoel Almino, que mais vez viu suas ideias perderem para o bolso do adversário.

E foi a última vez que Manoel Almino foi candidato.

A família, que pouco aparecia nessa saga de Manoel Almino em defesa da liberdade de Quixelô, sofreu junto por toda essa luta. Sempre em silêncio e em oração. Eles sabiam que ele era, até então, o único a ter tido coragem de lutar contra os ‘doutores de Iguatu’ e ele sabia, mais do que todos, qual seria o resultado ao desafiar o coronelismo nas terras cearenses, onde o braço do Estado não alcançava o cidadão de bem. Não é fácil ser herói.

Manoel Almino, mesmo sem nunca ter ganho a tão sonhada eleição para prefeito, sempre foi considerado um vitorioso pela sua luta em favor da liberdade de Quixelô.

Como ele mesmo se definia: sou “um filho da terra, pela vontade de servir ao seu povo.”

Manoel Almino faleceu em Quixelô, Ceará dia 10 de dezembro de 2018. A Prefeitura rende homenagens a um dos mais importantes heróis quixeloenses.

Por Luís Sucupira
Assessor de Imprensa de Quixelô

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